Então, ontem finalmente aconteceu o Peter Pan, digo, Perc Pan, mais popularmente divulgado como "o show do Beirut", porque honestamente 99% das pessoas não estariam ali pelo resto do lineup, eu inclusive. Aliás, desde o momento em que eu soube que o show seria parte de um festival desse teor, eu senti uma vibe CILADA a respeito da coisa toda, mas decidi pagar pra ver. Até porque quando a Jules me passou o Gulag Orkestar nos idos de não sei quando, eu achei que o Beirut era o tipo de banda que eu provavelmente nunca ia ter a chance de ver ao vivo, e pensar que anos depois eles iam tocar aqui na CIDADE BUNITA foi meio surreal, eu não podia deixar minhas expectativas diminuírem por conta da minha birra com festivais.
Pois bem.
Como eu imaginei, as outras bandas do lineup foram agradáveis, mas essa coisa de música instrumental me dá margem a divagar. Depois de um tempo eu me pego pensando "tenho que levar aquela minha calça pra fazer a barra" ou "qual era mesmo o nome daquele fotógrafo que eu vi na revista do consultório?". Enfim, a coisa toda me remete a essa outra experiência.
O Trio 3-63 costurou músicas entre a apresentação de uma banda e outra, o que eu achei bem legal, porque não curto ficar esperando enquanto os roadies trabalham.
O primeiro gringo a se apresentar foi o francês Cyril Hernandez. LÓKI. A apresentação dele começa com batucadas num tonel, depois numa bacia transparente d'água pendurada do teto. Tudo processado pelo seu manipulador de som, que também se chama Cyril. O cara ficou lá batucando na água um tempão, eu achei até que ia precisar sair pra fazer xixi, aí ele enfiou a cara na água e ficou fazendo sons e eu ao mesmo tempo lembrando de Thom Yorke no clipe de No Surprises e pensando "o que é isso que eu tou vendo, meldels", sendo que eu ouço esse tipo de coisa achando bem normal. Depois ele passou a bater com uma espécie de vassourinha pelo palco afora e decidiu descer do palco. Foi bem aí que eu pensei "maldita hora que eu comprei fila A. Esse cara tá saindo batucando em tudo, vai que ele decide batucar na cabeça de alguém, e com a sorte que eu tenho NUNCA SE SABE". Aí você vai dizer "Lê, eu até entendo que você use o exagero como forma de humor, mas você viaja demais, hein, amiga?". E eu vou te dizer, julgue melhor, porque foi EXATAMENTE ISSO O QUE ELE FEZ. Não em mim, mas em outras pessoas. Ele foi passando e pedindo "dá-me um som", e teve um guri que levou umas microfonadas na (felizmente) densa cabeleira. O ato dele terminou com o manipulador de som dançando e tocando com uns lances que pareciam controles do Wii, I don't even know.
Depois entrou uma banda japonesa de esquimós (!) e eu achei que ia rolar um lance meio trilha de filme do Akira Kurosawa, mas eu também nem sei explicar o que foi aquilo. O que
me emocionou foi no final, o tiozinho explicando num Inglês quebrado que a música que ele tinha tocado era sobre como a terra deles tinha sido tomada e como eles deviam
perpetuar aquela memória, coisetal. Achei bonito. :~
E depois teve um guitarrista japonês também. Um japonês rasta que as biscas sentadas do meu lado queriam pegar.
E aí chegou a vez do Beirut. :B

Zach de perto com sua feição rechonchuda e bochechas rosadas me lembrou um gordinho boa praça que estudava mesmo colégio que eu, o Verdurinha. Fumava uma maconha lascada, o Verdura. Não ajudou muito pro lado do Zach que ele estivesse muito doidão. A banda toda, na verdade. No lugar de água eles tinham bebidas alcoólicas; no caso do Zach rolou até um whiskey (ou conhaque, não sei). Ele passou o show todo falando Português, o que eu tendo a achar muito fofo da parte de qualquer pessoa, mas o interessante é que ele fala MUITA coisa, não fica só no "obrigado" e "boa noite". Até por conta disso foi meio difícil entender o que ele tava querendo falar em alguns momentos, porque ele tava falando só no Português enrolado (e grogue). Mas o que deu pra entender é que ele dizia o tempo todo que estava doente, por isso não estava conseguindo cantar muito bem, nem tocar a trombeta, o que é compreensível e crível, mas eu acho que é mesmo à MARVADA que se deve atribuir a enrolação com as letras e o esquecimento das mesmas (e o fato dele quase cair com a cara na bateria depois de fazer uma voltinha). O tempo todo achei que ele ia vomitar ou algo assim.

♫♪ Eu bebo zim... ixtou vivendo lalanananaai ♪♫
Em seguida teve The Shrew:
Até aí a plateia tinha lugar marcado, todos sentados. Eu já sentia que o Zach ia convidar o pessoal pra levantar, porque é comum pra bandas desse perfil, e foi o que aconteceu. Da fila A eu fui pra junto do palco. Postcards from Italy, a música pela qual eu conheci a banda (não gravei toda porque a câmera só faz 3 minutos por vez):
Eu ri que antes de pegar o Ukulele ele falou "eu vou tocar cavaquinho!". :D
E o que aconteceu foi que na pausa entre uma música e outra, o Zach perguntou "vocês podem ver?" e geral achando que ele tava perguntando se todo mundo tava conseguindo vê-lo, porque ele tinha pedido pra o pessoal levantar, e todo mundo "siiim". E aí ele resolveu explicar com gestos "todos vocês podem "ver" aqui?". Ou seja, era VIR, e não VER. O que quer dizer que...
Depois disso, o show meio que acabou pra mim. Eles tocaram minha atual favorita, Mimizan, I sang my little heart out, tentando fazer contato visual com alguém da banda pra mostrar que ALOU, vocês não estão sozinhos, eu gosto muito dessa, e felizmente o baixista viu. (Y) Mas nessa altura aí eu já tava com uma fome do cão, uma puta cãibra por causa da escalada e descida e meio de cara com o que tinha acontecido (até agora não sei se minha reação é WTF ou LOL). Sem contar as luzes acesas o tempo todo depois do incidente. Depois ainda teve uma pausa imensa antes do bis, novamente os seguranças pedindo que devolvessem o microfone, Zach MORTÃO tentou cantar The Penalty, mas não deu muito certo. Ele se despediu dizendo - ainda em Português - "boa noite, eu não posso mais cantar". Aww. :(
Sei lá, eu fiquei meio triste. Eu saio da maioria dos shows morrendo de saudade do momento, tanto que passo um tempo sem conseguir ouvir as músicas no CD, por puro apego, mas eu acho que no caso do Beirut eu já tive momentos mais emocionantes ouvindo as músicas em casa do que lá, ao vivo.
Eu não sei se tou fazendo muito sentido, eu curti ver a banda ao vivo, achei todos com muita energia & simpatia (distribuiram cerveja e o batera ainda deu baqueta pro cara que tava do meu lado, conforme eles tinham combinado por gestos entre uma música e outra, haha), acho que apesar da bebedeira e da "doença" do Zach eles estavam dando o melhor de si, mas não digeri muito bem as peculiaridades do evento (aka primitividade do púlbico e consequências), acho que é isso.
Outro ponto muito positivo foi encontrar pessoas que conheço online e só vejo muito de vez em quando, ou encontrei pela primeira vez, como foi o caso da Lorena. Por outro lado, eu tava lá mandando ver no gogó, viro pra trás e vejo ex-alunos meus de monitoria, olha o papel.


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